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quinta-feira, 28 de julho de 2011

27.12


E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com sonos jamais despertados antes do sol raiar. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

[John Lennon]

sábado, 16 de julho de 2011

é assim ...


Se eu demorar, me espera, se eu te enrolar, me empurra
se eu te entregar, aceita, se eu recusar, me surra
se eu sussurrar, escuta, se eu balançar, segura
se eu gaguejar, me entende, se eu duvidar, me jura
se eu for só teu, me tenha, se eu num for, me larga
se eu te enganar, descobre, se eu te trair, me flagra
se eu merecer, me bate, se eu me mostrar, me veja
se eu te zuar, me odeia, mas se eu for bom, me beija
se tu ta bem, eu to, se tu num ta, tambem...
não to legal, não to, pergunto o quê que tem
tu diz ki ta tranquila, mas eu sei que tu num ta
tu ta bolada filha, vamos desembolar
se eu te amar, me sente, se eu te tocar, se assanha
se eu te olhar, sorria, se eu te perder, me ganha
se eu te pedi, me da, se for brigar, pra que?
se eu chorar, me anima, mas se eu sorri eh por você ...

terça-feira, 12 de julho de 2011




Um vento frio no rosto, vindo da janela e uma lembrança.
Eu que tinha ficado tão distante, queria reaproximação. Queria coração acelerado, olhares certos, mil pensamentos e só uma pessoa. Queria, desejava e pedi. Pedi por dentro, sabe? Com a vontade de uma criança que escreve uma cartinha pro papai Noel. Uma vontade tamanha, que eu seria capaz de correr o mundo atrás disso, naquele momento. Comecei a acreditar nessas coisas de pensamento forte, no poder que a gente tem quando pede com vontade, ao natural.
Parece que quando a gente quer de verdade e vale à pena, as coisas fluem mais fácil.
E me peguei ali, com um sorriso bobo, sem ligar pros que me olhavam ao redor. Deviam estar me achando louca... Tolos!
O pensamento voou pra bem perto. Perto de mim, tão perto que não foi necessário muito esforço. Abri a porta e lá estava o meu presente, já desembrulhado, sem surpresas, acompanhado de um sorriso e um abraço apertado. Senti um cheiro bom de cereja, aquele cheiro vinha acompanhado do gosto da saudade indo embora.
Agarrei meu presente junto à mim pra senti-lo melhor. No cartãozinho, assinado por um tal de Papai do céu, vinha escrito:
Aproveita, talvez tenha validade, talvez seja imperecível. A única certeza é que é imprevisível.”
E o fiz, e o faço.
O presente que eu tanto pedi, tem sido meu. Presente do coração, do tempo, da vida, de Deus.