Quando eu olho pra ti e vejo esse amontoado de coisas que nem combinam muito com o meu amontoado de coisas, mas que acabaram fazendo parte do meu amontoado de coisas eu fico com medo de perder esse sentimento bom, de você levar embora esse nosso amontoado de coisas – que ainda está pequeno, mas vai crescer um bocado. Sabe como é? Porque você chegou tão tênue, tudo aconteceu à passos de tartaruga e marcou em mim tantos sorrisos, mesmo eu sendo essa pessoa tão cheia de traços desatentos e hiperativos, gostando do muito e do rápido, aqui e agora.
O medo de perder, no amor, é pior do que qualquer outra coisa. Mas nem todo mundo sente e acho que é um pouco unilateral, até certo ponto. Sentimento de perda é como experimentar aquela comida que você nunca comeu, mas diz não gostar – um dia será preciso, necessário, sine qua non. Assim, como eu não quero te perder, não quero que você bote tudo a perder. Foi tão complicado construir isso tudo aqui dentro até agora pra se fazer desmoronar por tão pouco. Não é mesmo?
Mas sabe o motivo de todas essas letras? Esse sentimento de saudade invadindo sem pena, essa ausência qualquer sua, a falta de suas palavras bobas. Saudade é assim, meu bem, se você não sentiu ainda na pele um dia chega o seu dia, ela gosta de corroer aos pouquinhos, faz até um buraco no coração e, se você não tiver cuidado, coloca tudo a perder. Saudade é egoísta. E é por isso que hoje qualquer coisa faria sentido se a gente se encontrasse, se você telefonasse ou desse um sinal de vida. Meu bem, aprenda uma coisa, matar a saudade não é crime, é ato lícito. Eu diria até que não existe nada mais justo.